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A volta às aulas aumenta a incidência de crianças doentes

A convivência com outras pessoas é o principal motivo que leva ao aumento no número de casos de viroses gastrointestinais e respiratórias

O fim das férias é motivo de ansiedade para os pequenos, que vibram ao reencontrar os amigos com mais frequência e a aprender coisas novas. Mas, além de toda a mudança no dia a dia, como arrumação da mochila, rotina regrada de estudos e atividades extracurriculares, outro fator pode marcar, de forma não tão satisfatória, a volta às aulas: a presença de doenças que acometem os alunos que passam a ter contato próximo com muitas outras crianças.

Cada uma traz consigo uma carga bacteriana e o contato súbito entre elas, que não se encontram há um tempo, faz com que algumas doenças se proliferem entre elas como as conjuntivites ou as viroses. Além disso, há o risco de contágio por doenças da estação, como resfriados, gripes, escarlatina, diarreia aguda, entre outras.

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A incidência de viroses respiratórias é mais comum no inverno, enquanto as viroses gastrointestinais estão mais presentes no verão. Mas esta tendência vem se modificando conforme aumenta o fluxo de crianças em viagens para regiões com climas diferentes, fazendo com que haja uma migração de doenças pelo País.

Piolhos: um capítulo à parte

Um dos principais problemas entre as crianças é a proliferação de piolhos. A pediculose, como a doença é chamada, acontece quando há infestação do pequeno inseto, sem asas, que se alimenta de sangue.

A transmissão ocorre pelo contato direto ou pelo uso de bonés, chapéus, escovas de cabelo, pentes ou roupas de pessoas contaminadas. Os acometidos sofrem com a intensa coceira no couro cabeludo, principalmente na parte de trás da cabeça, podendo chegar ao pescoço e tronco; também podem surgir pontos avermelhados semelhantes a picadas de mosquito.

Para tratar, o paciente deve lavar os cabelos com xampus e aplicar loções específicas para pediculose. Em alguns casos, pode ser necessária a medicação oral, prescrita por um médico dermatologista.

Além disso, é preciso remover os piolhos e as lêndeas com pente fino ou manualmente, um por um, pois os medicamentos não matam os ovos do parasita.

Fonte: Ministério da Saúde (MS)

Para a diarreia aguda, mais comum no verão, a explicação pode estar no maior risco de contaminação de alimentos perecíveis ao calor, sem refrigeração e higiene adequadas. Já as viroses respiratórias ocorrem devido à aglomeração em ambientes mais fechados e pouco ventilados, como uma classe de escola com janelas fechadas.

Esse fenômeno é conhecido como “aquartelamento”, já que as crianças ficam todas juntas, compartilhando intimamente o mesmo espaço. “Usamos esse termo pois elas ficam como se estivessem em um ‘quartel’. Com isso, apenas uma criança com alguma doença tem o potencial de contaminar todas as outras”, explica o pediatra do Hospital Santa Catarina, Dr. José Colleti Junior.

De acordo com o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Dr. Milton Orel, nas férias, os cuidados dos pais, muitas vezes, são menores do que no período escolar, aumentando os casos de crianças com piolhos. Já nas viagens, é mais fácil se alimentar em lugares onde os alimentos podem ter uma procedência duvidosa, o que contribui para a incidência de verminoses. Há maior ocorrência, também, de otites, devido à maior exposição a piscinas.

O fenômeno acontece porque nem sempre os anticorpos das crianças conseguem lutar contra as patologias. Eles são cultivados durante toda a vida, desde o interior do útero das mães.

A criança que nasce após nove meses de gestação recebe uma carga de anticorpos que a protege pelos primeiros meses de vida. Após o nascimento, o contato com as bactérias faz com que o corpo produza mais defesas, com a produção de anticorpos e linfócitos T específicos.

O pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Victor Nudelman, esclarece que se a bactéria for causadora de alguma doença, na primeira vez a criança desenvolverá a patologia, mas no futuro ficará protegida dela. Ajudam nesse processo, também, as vacinas.

Evitar é possível

Os cuidadores têm função essencial na prevenção de doenças. “Ter uma alimentação saudável, evitando as ‘besteiras’, ajuda bastante. O leite materno é um fator excepcional de proteção e o ideal é amamentar até os dois anos de idade”, diz o Dr. Colleti Junior.

É preciso que as crianças sejam orientadas a ter uma boa higiene em seu dia a dia. Evitar roer unhas e lavar as mãos frequentemente é essencial para se manter longe de grande parte das doenças. Isso porque muitas viroses têm a mão, que vai à boca, como porta de entrada. “O uso de álcool em gel também deve ser estimulado em algumas situações, bem como caprichar na higiene dos alimentos, objetos e brinquedos”, frisa o especialista.

Os pais devem evitar enviar seus filhos à escola se eles estiverem doentes, deixá-los expostos um pouco ao sol diariamente e incentivá-los a praticar atividades físicas ao ar livre. É papel deles, também, observar se a criança fica doente muitas vezes, com uso constante de antibióticos ou internações, para que o pediatra possa avaliar se há um problema maior e, neste caso, instituir investigação e tratamento adequado.

Entretanto, para o pediatra do Hospital Santa Catarina, as crianças devem ser acometidas por infecções virais nos primeiros três anos de vida com uma frequência de quatro a oito vezes por ano, principalmente se frequentar escola ou creche.

Rotina mais confortável

Para ajudar os pais, educadores e profissionais de saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) criou um guia de orientação para que a volta às aulas seja feita de maneira saudável e produtiva. Além da saúde, ter atenção a alguns detalhes pode fazer a diferença no conforto da criança.

Um dos pontos abordados é a adaptação aos novos horários. Nas férias, costuma haver mudanças de hábitos, às vezes bastante radicais, que precisam voltar à normalidade durante o período escolar. A criança que dormia pouco ou dormia e acordava tarde precisa voltar a um padrão que valorize as horas de sono necessárias para um bom rendimento na escola.

Síndrome da creche

Creches são os estabelecimentos de educação para crianças de até três anos de idade. A síndrome se refere àquelas que são acometidas por infecções de repetição, principalmente as de vias aéreas como faringites, rinossinusites, otites, amigdalites, entre outras.

Como as crianças estão entrando na escola cada vez mais cedo, aumenta a incidência do problema, pois alguns anticorpos ainda estão em processo de formação nesta idade, assim como acontece com os idosos.

Esse é o principal motivo de os pais terem de levar seus filhos praticamente todos os meses ao pediatra e/ou pronto-socorro.

É esperado para uma criança saudável ter até 11 afecções respiratórias no primeiro ano de creche. Se esses episódios não evoluírem para otites, sinusites ou pneumonias, entende-se por uma resposta normal da criança.

Fontes: otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Dr. Milton Orel; e pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Victor Nudelman

Deve ser observado, também, o peso da mochila do estudante. Para evitar danos (dores e possíveis desvios da coluna), quando cheia, a mochila não deve ultrapassar 10% do peso da criança. Os pediatras sugerem que ela seja organizada todos os dias para levar somente o que for necessário e que, na hora da compra, deve-se dar preferência aos modelos de materiais leves e com tamanho acima da cintura de quem vai carregá-la.

Entre os sinais e sintomas que podem ser o indício de um problema de saúde mais grave, é preciso atentar-se a queixas visuais, como dificuldade de ler à distância e dores de cabeça. “Convém estar atento a essas alterações nas primeiras semanas de aula, caso uma revisão dos óculos (para quem os usa) ou uma consulta com o oftalmologista não tenha ocorrido recentemente”, diz o documento.

Foto: Shutterstock

Sazonalidade a favor do varejo

Edição 308 - 2018-07-01 Sazonalidade a favor do varejo

Essa matéria faz parte da Edição 308 da Revista Guia da Farmácia.

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