OMS alerta para o risco de descontrole da tuberculose

No relatório da OMS sobre a tuberculose em tempos de pandemia diz que em muitos países a doença está aumentando por falta de recursos

O Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca o desafio ainda maior em relação ao controle da tuberculose com a pandemia de Covid-19.

De acordo com a entidade nos últimos anos muitos países estavam observando constantes progressos no combate à doença.

A redução dessa incidência chegou a 9% e de mortes 14%, entre 2015 e 2019.

Porém, as interrupções nos serviços de assistência à saúde causadas pela disseminação do coronavírus trouxeram retrocessos.

De acordo com informações do novo relatório, 200 países reduziram as notificações de casos no primeiro semestre deste ano.

Em muitos casos, recursos humanos, bem como financeiros e outros auxílios direcionados ao combate da tuberculose foram realocados para a resposta à Covid-19.

Os sistemas de coleta de dados e relatórios também foram impactados negativamente.

A farmacêutica e especialista em Hematologia Clínica, Elena Sales reforça essa preocupação com o serviço de assistência nas unidades de saúde.

“Com o advento da pandemia houve sem dúvida uma quebra na assistência aos pacientes. Houve, digamos, uma desestruturação dos serviços nesses meses, com a falta de profissionais por conta do isolamento social, falta de profissionais para contato com os pacientes que já estavam diagnosticados tomando medicamento precisando da atenção dos profissionais de saúde para incentivar justamente na tentativa de não haver essa quebra e sim a adesão ao tratamento. Como também aqueles que eram só sintomáticos respiratórios mas precisavam do serviço. Houve de certa forma uma interrupção que vai trazer reflexos significativos no Brasil e no mundo.”

Mortes por tuberculose

Aproximadamente 1,4 milhão de pessoas morreram por doenças relacionadas à tuberculose em 2019.

Das cerca de 10 milhões de pessoas que desenvolveram a doença naquele ano, quase três milhões não foram diagnosticados ou não foram oficialmente notificadas às autoridades nacionais.

A farmacêutica destaca a necessidade do diagnóstico, bem como do tratamento e acompanhamento dos pacientes para evitar a disseminação da doença.

“Apesar de cura o tratamento traz dificuldades. Primeiro porque o tratamento é longo, no mínimo seis meses. Hoje todas as equipes de saúde devem ser multidisciplinares, cada um com a sua importância e todos se ajudando, mas eu diria que o farmacêutico nesse programa, de uma forma geral, tem muita importância. O tratamento é feito com várias drogas que necessitam de monitoramento, em geral ele é bem tolerado, porém existem reações adversas significativas.”

Ela alerta que autoridades públicas precisam não se descuidar e reestruturar os programas para que a doença não se descontrole e isso impeça o país de atingir a meta de controle global de erradicação da enfermidade até 2030.

Fonte: CFF

Foto: Shutterstock

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