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Após tomar aciclovir, a herpes voltou e eu tomei o medicamento novamente. Gostaria de saber se é necessário tomar os 30 comprimidos novamente e se dor de cabeça e tontura é normal.

Antes de esclarecer a dúvida sobre tomar aciclovir ou não, inicialmente é preciso diferenciar herpes simples de herpes-zoster:

  • Herpes simples é uma infecção causada pelo vírus herpes simplex humano (HSV 1 e 2) que se caracteriza pelo aparecimento de pequenas bolhas agrupadas especialmente nos lábios e nos genitais, mas que podem surgir em qualquer outra parte do corpo.
  • A herpes-zoster é uma doença infecciosa causada pelo vírus varicela-zoster – o mesmo responsável pela catapora. Portanto, Herpes-zoster é um vírus chamado Varicela-zoster e que não deve ser confundido com o vírus do herpes simples. O Varicela-zoster é o agente de duas doenças: da catapora e do herpes-zoster que, normalmente, fica incubado em um nervo depois que provocou catapora e cerca de 20% das pessoas podem ter herpes-zoster em algum momento da vida.

Por que tomar aciclovir?

Conforme indicação de Bula do medicamento, o aciclovir é indicado também na supressão (prevenção de recidivas) de infecções recorrentes por Herpes simples em pacientes imunocompetentes e na profilaxia de infecções por Herpes simples em pacientes imunocomprometidos. O aciclovir é usado, ainda, no tratamento de infecções de Herpes zoster.

Estudos têm demonstrado que o tratamento precoce de Herpes zoster com aciclovir produz efeito benéfico na dor e pode reduzir a incidência de neuralgia pós-herpética (dor associada ao Herpes zoster). O aciclovir é também usado no tratamento de pacientes seriamente imunocomprometidos.

Mecanismo de ação do Aciclovir

O mecanismo de ação do aciclovir está fundamentado no qual o fármaco é um nucleosídeo sintético, análogo da purina, com atividade inibitória in vitro e in vivo contra os vírus da família herpesvírus, incluindo vírus Herpes simplex (VHS), tipos 1 e 2; vírus Varicella zoster (VVZ); vírus Epstein Barr (VEB) e Citomegalovirus (CMV).

Em culturas celulares, o aciclovir tem maior atividade antiviral contra o VHS-1, seguido (em ordem decrescente de potência) pelo VHS-2, VVZ, VEB e CMV. A atividade inibitória do aciclovir sobre VHS-1, VHS-2, VVZ, VEB e CMV é altamente seletiva. Uma vez que a enzima timidinaquinase (TQ) de células normais não-infectadas não utiliza o aciclovir como substrato, a toxicidade do aciclovir para as células do hospedeiro mamífero é baixa.

No entanto, a TQ codificada pelo VHS, VVZ e VEB converte o aciclovir em monofosfato de aciclovir, um análogo nucleosídeo que é, então, convertido em difosfato e, finalmente, em trifosfato, por enzimas celulares. O trifosfato de aciclovir interfere com a DNA- polimerase viral e inibe a replicação do DNA viral, resultando na terminação da cadeia seguida da incorporação do DNA viral.

Eventos adversos do uso de Aciclovir

O leitor não informou alguns dados que são importantes para o direcionamento da resposta como, por exemplo, se a prescrição foi objetivando o Herpes simplex ou o Herpes zoster, quantidade administrada diária, frequência, além de que se é um(a) paciente imunocompetente ou imunodeprimido(a), pois são condições diferentes de evolução da resposta terapêutica. A administração prolongada ou repetida de aciclovir em pacientes seriamente imunocomprometidos pode resultar na seleção de cepas de vírus com sensibilidade reduzida, que podem não responder ao tratamento contínuo com aciclovir.

Eventos adversos podem variar sua incidência dependendo da indicação. O aparecimento de dor de cabeça, tonteira, náusea, vômito, diarreia, dores abdominais, prurido, erupções cutâneas (incluindo fotos sensibilidade), fadiga e febre são consideradas reações muito comuns (> 1/10) e, também, reações comuns: > 1/100 e < 1/10.  Além das observações anteriormente mencionadas, saliente-se que se o leitor for idoso, ou tiver mau funcionamento dos rins, seu médico poderá fazer um ajuste (redução) na dose. Tanto idosos quanto pacientes com insuficiência renal têm risco de desenvolver efeitos adversos neurológicos.

Tratamento com aciclovir: Herpes simples e Herpes zóster

Considerando que tenha sido manifestação ocasionada por Herpes simplex (em pessoa adulta): os comprimidos devem ter sido tomados por via oral, respeitando os horários e a duração do tratamento estabelecidos e se deve ser estendido em infecções iniciais graves. A administração das doses deve ser iniciada tão cedo quanto possível, após o surgimento da infecção. Para os episódios recorrentes, isso deve ser feito, de preferência, durante o período prodômico ou imediatamente após surgirem os primeiros sinais ou sintomas, entretanto, sempre com a orientação e prescrição médicas.

Para o tratamento de Herpes zoster em adultos o tratamento precisa ser mantido por sete dias. Em pacientes gravemente imunocomprometidos (por exemplo, após transplante de medula óssea) ou com problemas de absorção intestinal, deve ser considerada a administração de doses intravenosas. A administração das doses deve ser iniciada o mais cedo possível, após o surgimento da infecção.

Tomar aciclovir: importância da prescrição médica

O leitor dá a entender pelo questionamento feito que reiniciou o tratamento por conta própria e, se isso ocorreu, é uma conduta equivocada porque precisaria de avaliação clínica pelo médico prescritor para voltar a tomar aciclovir e prolongar o número de dias do tratamento.

É importante salientar, também, a importância da prescrição médica porque há necessidade de avaliação dos medicamentos que  leitor faz uso para decidir sobre a continuidade ou não durante o tratamento (em especial:-probenecida, cimetidina e micofenolato de mofetila). O aciclovir também pode afetar o resultado de exames de sangue e de urina.

Portanto, há necessidade de usar o medicamento conforme orientação médica tanto no diagnóstico como, também, durante a evolução clínica do agravo à saúde para que a meta terapêutica seja alcançada com a efetividade e a segurança do medicamento.

 

Por que a dose da “madrugada” do aciclovir via oral é excluída?

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Sobre o colunista

Maria Aparecida Nicoletti

Farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

1 comentário

  1. Avatar

    Como sabe ser a herpes vaginal está sarando ?
    Quanto tempo fica as bolhas e o inchaço e a dor ?

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