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Regeneron: entenda o medicamento usado por Trump

A empresa Regeneron diz que o coquetel de anticorpos ajuda a reduzir os efeitos dos vírus e pode acelerar sua recuperação

Em um vídeo divulgado no dia 7, o presidente americano Donald Trump defendeu e promoveu o medicamento experimental da farmacêutica Regeneron como uma “cura” para a Covid-19.

Não há evidências de que o medicamento, um entre vários administrados a Trump, no entanto, seja o motivo de sua melhora.

O REGN-COV2, nome do medicamento da farmacêutica Regeneron, é uma droga experimental que utiliza um coquetel de anticorpos para prevenir e tratar a Covid-19.

Os resultados preliminares são promissores.

Mas estudos clínicos rigorosos, essenciais para considerar um medicamento seguro e eficaz para uma doença, ainda não foram concluídos.

No vídeo, o presidente americano também prometeu disponibilizar centenas de milhares de doses do medicamento a americanos com Covid-19.

“Se você estiver no hospital, e não estiver se sentindo bem, vamos trabalhar para que você receba [o medicamento], e receba de graça”, afirmou.

Trump disse também que tudo estava pronto para uma autorização de emergência para o uso do medicamento, embora os cientistas da Food and Drug Administration (FDA), órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos, devam tomar decisões independentes sobre aprovações a medicamentos.

Horas depois, segundo o jornal The New York Times, a empresa Regeneron entrou com um pedido na FDA para uma aprovação de emergência para o tratamento.

A empresa disse que, a princípio, o acesso ao tratamento seria extremamente limitado, com apenas doses suficientes para 50 mil pacientes – número bastante inferior às “centenas de milhares” de doses prometidas por Trump.

As ações da empresa Regeneron subiram, e questões surgiram sobre a relação entre Trump e o CEO bilionário da empresa (leia mais abaixo).

O tratamento de Trump

Trump foi internado em um hospital militar menos de 24 horas após a confirmação de sua infecção por Covid-19, na noite de sexta-feira (02/10).

Naquela noite, uma dose de oito gramas do REGN-COV2 foi administrada ao presidente de 74 anos.

Ele também recebeu uma primeira dose do antiviral remdesivir, que antes era usado para combater a hepatite C e o ebola, dexametasona, zinco, vitamina D, famotidina, melatonina e uma aspirina diária.

A injeção que recebeu faz parte de um tratamento desenvolvido pela empresa de biotecnologia Regeneron e foi dada ao presidente “sem gerar nenhum incidente preocupante“, segundo escreveu o médico presidencial, Sean P. Conley.

Anthony Fauci, o especialista em doenças virais mais reconhecido dos Estados Unidos e líder da equipe da Casa Branca para combater a pandemia, já havia se referido a esse tratamento como uma possível “ponte para uma vacina”.

Mas não há como dizer se o remédio ajudou Trump a se recuperar.

Além dos outros medicamentos que tomou e que podem ter contribuído para tanto, é preciso lembrar que a maioria das pessoas infectadas com o vírus se recupera.

Para saber se um medicamento é seguro e eficaz para uma doença, ensaios clínicos com centenas de pessoas com grupos de pessoas que tomam o medicamento e grupos de pessoa que tomam um placebo são necessários.

O medicamento

Embora não haja tratamentos aprovados pela Organização Mundial da Saúde para a Covid-19, o protocolo de saúde fornecido a Trump é um dos candidatos mais promissores, de acordo com médicos americanos.

O REGN-COV2 é baseado no uso de anticorpos monoclonais, e a Regeneron é uma das empresas pioneiras em testá-los.

Segundo especialistas, eles têm a capacidade de ser usados ​​como medicamento profilático de ação rápida em pessoas expostas ao vírus.

A empresa Regeneron diz que o coquetel de anticorpos ajuda a reduzir os efeitos dos vírus e pode acelerar sua recuperação.

A Regeneron observa que os resultados iniciais sugerem que o nível de efeitos do vírus no corpo pode ser reduzido, assim como o tempo de internação hospitalar quando o coquetel é administrado no início da infecção.

O que são anticorpos monoclonais?

Um anticorpo monoclonal, também conhecido como mAB, é um tipo de medicamento que pode ser usado tanto para prevenir a infecção quanto para tratá-la após o desenvolvimento da doença.

Quando o corpo detecta a presença de um antígeno, como o coronavírus, o sistema imunológico produz proteínas destinadas a neutralizar o vírus, a fim de impedi-lo de entrar em nossas células e se reproduzir.

Os anticorpos monoclonais são cópias sintéticas feitas em laboratório a partir de um clone de um anticorpo específico encontrado no sangue de uma pessoa recuperada.

Isso significa que os mAbs imitam os anticorpos que nosso corpo produz naturalmente.

“A diferença em relação a uma vacina, que introduz uma proteína ou material genético em nosso organismo para estimular o sistema imunológico (e assim gerar anticorpos), é que esses são anticorpos entregues ao corpo para oferecer proteção“, explica o médico especializado em doenças infecciosas da Universidade de Copenhague e do hospital Rigshopitalet, na Dinamarca, em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Jens Lundgren.

“É o que chamamos de imunidade passiva”, afirma o pesquisador, que lidera um dos ensaios clínicos sobre anticorpos monoclonais da farmacêutica Eli Lilly.

Terapia antiga

Esse tipo de terapia vem sendo desenvolvida desde a década de 1970 e foi aplicada a uma série de doenças, como a Aids e diversos tipos de câncer.

Desde o início da pandemia, laboratórios como AstraZeneca, Regeneron, VirBiotechnology, Eli Lilly e Adimab, entre outros, investigam o uso de anticorpos monoclonais eficazes contra o coronavírus, e seus resultados são promissores.

Seu uso é, todavia, considerado por especialistas como mais eficiente do que um transplante de plasma.

Pois envolve uma seleção de proteínas específicas para neutralizar ou interromper um vírus.

Porém, um dos principais problemas dessa terapia é seu alto custo.

Esses tipos de tratamentos médicos estão entre os mais caros do mundo.

O preço médio de um tratamento com mAB nos EUA varia de US$15 mil a US$ 20 mil (R$ 84 mil a R$ 112 mil) por ano.

Ligações entre Trump e a Regeneron

Depois que Trump anunciou o medicamento como uma “cura” para o coronavírus, prometeu distribuí-lo gratuitamente a americanos.

As ações da empresa subiram, suspeitas sobre ligações entre Trump e a empresa fabricante do remédio começaram a ser levantadas.

Segundo a CNN Business, o CEO da Regeneron, Leonard Schleifer, e o presidente Trump se conhecem: o CEO foi membro do clube de golfe de Trump em Westchester, Nova York.

Além disso, sua empresa também recebeu US$ 450 milhões em financiamento do governo em julho como parte do plano do presidente para um desenvolvimento rápido de uma vacina ou outros tratamentos para a Covid-19.

Foto: Shutterstock

Fonte: G1

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